A valorização dos imóveis, que no ano passado subiram 26,3% em média, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e o site especializado Zap, deve continuar. Isso porque a tendência para as duas principais variáveis que interferem nos preços — renda e crédito imobiliário — também é de alta. Em tempos de juros mais baixos e da realização de importantes eventos esportivos no país, investir no setor imobiliário pode ser uma boa pedida.
Há muitas formas de obter retorno com a expansão imobiliária, mas três são destacadas por especialistas: obter renda com os aluguéis (que devem representar entre 0,7% e 1% do valor total para ser interessante), ganhar na hora da venda (com prêmio sobre o valor de compra original) e aplicar em fundos imobiliários (que fazem as duas coisas).
Para quem optou pela primeira alternativa, a boa notícia é que o número de processos na justiça por inadimplência nos contratos de aluguel chegou, em 2011, ao menor nível desde 1993 (18.655 no Estado de São Paulo), segundo o Secovi-SP. Segundo o professor de Gestão de Negócios Imobiliários da ESPM, Ricardo Carazzai, apesar do “boom” imobiliário, o investimento ainda é ótimo negócio. “Há uma garantia e segurança, e nos últimos 30 anos, a modalidade nunca perdeu o fôlego, mesmo em anos de crise”. Mas investir no segmento requer cuidados. É preciso ficar atento ao bairro escolhido, se tem risco de enchente ou se pode ser desapropriado por conta de obras públicas como metrô; avaliar se há liquidez para o tipo de imóvel escolhido (número de dormitórios); verificar a necessidade de reforma no caso de imóveis usados; analisar o valor do metro quadrado para evitar comprar algo que já esteja super valorizado e, ainda, pedir ajuda especializada para os trâmites legais. “Se o investidor comprar um imóvel que já está caro, o investimento acaba perdendo até para a poupança, pois na renda obtida como aluguel, incide imposto de renda enquanto na caderneta, não”, alerta Gustavo de Carvalho Chaves Mello, consultor financeiro.
Para aqueles que possuem capital para adquirir um imóvel novo na planta, a dica do professor da ESPM é fazer a compra nos primeiros dias de lançamento, pois os preços são reajustados à medida em que a demanda cresce. “Tente ser um dos primeiros. E na hora de vender, faça antes da entrega do imóvel.” Mello acredita que o imóvel serve para todos os perfis de investidor, mas acredita que o ideal é ter certo conhecimento do setor. “É adequado para aqueles que já possuem situação financeira confortável”, diz. O consultor alerta ainda que a aplicação deve compor uma cesta de investimentos, pois pesa sobre a modalidade a falta de liquidez, já que a venda nunca é imediata. “O segredo é comprar barato, ganhar com o aluguel ou vender por, pelo menos, 20% ou 30% a mais do que pagou.”
Ricardo Carazzai é diretor de Imóveis Prontos na Fernandez Mera.
Matéria criada pelo Brasil Econômico.





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